Fazia frio ilha de Sicília. Talvez como não se fazia em vinte anos. Todos os habitantes tiveram que, à noite, recolherem-se às suas casas, sem sequer pensar em ir para boates ou gozar de outras formas de entretenimento noturno. Deitados na cama e cobertos com o lençol, dava para aquecer o corpo, ainda que por apenas por uns istantes, pois a manhã de trabalho já vinha.
Numa das várias casas da cidade, morava um universitário de nome Luigi. Ele tinha uma irmã, que se chamava Verônica. Ambos cursavam Medicina numa prestigiada instirtuição local. No rendimento, Luigi ultrapassava sua irmã de longe. Fazia as provas quase como se fosse um professor, enquanto que ela, mesmo estudando muito, não conseguia ter um rendimento satisfatório.
Luigi tinha um grupo de amigos, os quais ele considerava irmãos. Eram eles Marco, Silvio, Giovanni, Enzo e Pietro. Eles, desde o colegial, nutriam grande interesse pela Medicina. Enzo, por exemplo, sabia desenhar o sistema endócrino e nervoso inteiro e perfeitamente já no segundo ano científico.
Nessa manhã de frio, todos se levantaram de suas camas com cachecóis e duas meias no mínimo. Os cinco alunos, ao chegarem na Universidade, foram avisados de que iria ter uma viagem à África. Era no início do ano de 1954. Eles eram um grupo reservado de bons alunos que iriam passar cinco dias na África do Sul, atendendo de forma voluntária as pessoas, e, com isso, ganharem mais conhecimento do contato médico-paciente.
Quando estavam quase chegando à África, o motor do avião deu pane. Todos os passageiros entraram em pânico, e começaram a gritar. O avião caiu na água e apenas alguns passageiros conseguiram sair. Do grupo de Luigi, apenas Pietro não conseguiu sair. Luigi chegou para eles e disse:
- Eu marquei a posição da bússola no momento da queda do avião. Se formos naquela direção, vamos alcançar a África.
- É tão feio ver alguém mentir assim - disse o co-piloto do avião - Somente pela posição do sol, dá pra ver que a África está para lá - e apontou pro lado oposto ao de Luigi.
Então, ele propôs que quem acreditasse nele, o seguisse, o que incluiu os seus amigos e alguns passageiros. A maioria foi pela palavra do capitão.
Luigi estava correto, e eles atingiram uma ilha bem grande. Apesar de não ser onde eles queriam chegar, já dava pra sobreviver por alguns dias se ficassem por lá.
A primeira ação que Luigi tomou foi pedir que todos derrubassem algumas árvores para eles fazerem algumas construções rudimentares, a fim de abrigá-los durante a noite. Depois, foram derrubar cocos para almoçarem, e depois iriam fazer uma longa caminhada pela ilha para ver se haviam animais por lá. Logo no início da caminhada, eles avistaram uns porcos. Luigi então disse:
- Matem apenas um. Dá pra nos alimentar por uns três dias. Não podemos comer todos eles de uma vez, temos sim que garantir a sua reprodução.
Todos concordaram com a lógica de Luigi e mataram somente um. Ao terminarem de jantar, foram dormir. Marco fez uma fogueira e eles se deitaram em volta para se aquecerem.
Última Escala
segunda-feira, 29 de abril de 2013
terça-feira, 20 de novembro de 2012
A nova onda do alternativo brasileiro
Em 2012, eu conheci muitos artistas que estão fazendo música de qualidade em todo o Brasil. Dentre eles, vale citar o Cícero, a Tulipa Ruiz, o Apanhador Só, o Mombojó e tantos outros. Eles começaram a fazer música sem nenhuma garantia, disponibilizaram seu trabalho na Internet e, de boca em boca, foram ficando conhecidos no cenário underground brasileiro.
O underground, termo meio que depreciativo que denomina o que não atinge a grande massa, está mudando de sentido nos dias de hoje. Virou sinônimo de qualidade, de que aquele artista não segue rótulos, não se entrega ao sistema, ao mundo capitalista. Lógico que não estou dizendo que não existam artistas mainstream de qualidade (não sou tão hipster a ponto de afirmar isso), mas é que, no cenário atual da música brasileira, o popular virou o vulgar, o sem qualidade (vide Michel Teló e cia.).
A qualidade do mainstream brasileiro e mundial caiu tanto nos últimos tempos que somos obrigados a fazer uma busca entre os artistas menos representativos pra achar a qualidade que queremos. Antes não, a qualidade já vinha no mainstream, como por exemplo os Beatles e Frank Sinatra, internacionalmente, e Chico Buarque nacionalmente. Volto a frisar, é evidente que não estou generalizando, pois existem alguns artistas de grande repercussão que fazem obras de qualidade (a citar seu Jorge e Maria Gadú), mas ficaram cada vez mais escassos.
A música alternativa de hoje tem seu próprio cheiro, seu próprio sabor e identidade. Difere-se do alternativo de dez anos atrás. É anti-mercantilista e vê valor nas coisas simples. Não precisa de dinheiro pra lançar suas obras e nem de grandes companhias de marketing pra construir seus nomes. Ela se faz por si só, vai sendo levada pela maré, sem destino certo. Não lutam por nada, não querem fazer revoluções, apenas desejam curtir o momento e se expressarem através da música.
Cito, abaixo, alguns nomes dessa nova safra alternativa brasileira, não necessariamente em ordem de preferência.
- Cícero (também Cícero Lins).
* Melhor artista do movimento, no meu conceito.
* Conhecido pelo álbum "Canções de Apartamento", esse carioca surpreende com suas rimas Caetânicas em ritmo de Tom Jobim. Ganhador de dois prêmios Multishow em 2012, o músico está ficando cada vez menos underground. Cícero Rosa Lins tem 26 anos (na data de publicação desse post), muita energia e ideias na cabeça. Diz que compõe o tempo todo e por terapia, já que não tem dinheiro pra pagar o analista. Formou-se em Direito e chegou até a trabalhar no ramo, mas a música falou mais alto. Produzido por seu amigo Bruno Schulz (homônimo de um grande escritor), lançou seu disco em 2011 e, desde então, tem feito muito sucesso com o público underground. Em seu show de Fortaleza, cantou todas as músicas de seu disco e ainda deu bis, numa apresentação embalada mais por seus fãs do que pelo próprio, os quais cantavam todas as suas letras.
- Tulipa Ruiz.
- Apanhador Só.
- Mombojó.
- Móveis Coloniais de Acaju (agora produzidos pelo grande Miranda).
- Clarice Falcão.
* Artista mais original do movimento, no meu conceito.
* Essa menina, além de linda, faz um tipo de música que combina muito com o cenário alternativo atual. Sua música "uma canção sobre o amor", clipe viral do Youtube, sintetiza bem a temática simples e despreocupada do movimento. Com uma voz doce e letras com toques de humor, ela sempre surpreende com suas novas canções. Com seu primeiro CD previsto pra 2013, ela diz que quer produzi-lo sem perder sua espontaneadade e marcas, tais como seu estilo de tocar violão. Além de cantora, também é atriz e, ao lado do seu marido, faz muitos rirem de seus vídeos humorísticos.
- Mallu Magalhães.
* Artista de melhor recuperação, no meu conceito.
* Muitos ainda torcem o nariz pra essa menina, que apareceu em 2008 em vários programas de auditório e que, com seu jeito infantil, provocou vergonha alheia. Mas, o que as pessoas não sabem é que essa menina cresceu, amadureceu e se tornou uma moça muito talentosa. Seu último álbum, "Pitanga", é excelente. Produzido pelo namoradão Marcelo Camelo, ícone de outra fase do alternativo nacional, o disco tem uma temática muito relaxada. Cada música é gostosa de se ouvir e suas letras são bem pessoais. Fica aqui a dica pros que só querem criticar: ouçam a nova Mallu, principalmente músicas como "Velha e Louca", "Youhuhu" e "Highly Sensitive".
O underground, termo meio que depreciativo que denomina o que não atinge a grande massa, está mudando de sentido nos dias de hoje. Virou sinônimo de qualidade, de que aquele artista não segue rótulos, não se entrega ao sistema, ao mundo capitalista. Lógico que não estou dizendo que não existam artistas mainstream de qualidade (não sou tão hipster a ponto de afirmar isso), mas é que, no cenário atual da música brasileira, o popular virou o vulgar, o sem qualidade (vide Michel Teló e cia.).
A qualidade do mainstream brasileiro e mundial caiu tanto nos últimos tempos que somos obrigados a fazer uma busca entre os artistas menos representativos pra achar a qualidade que queremos. Antes não, a qualidade já vinha no mainstream, como por exemplo os Beatles e Frank Sinatra, internacionalmente, e Chico Buarque nacionalmente. Volto a frisar, é evidente que não estou generalizando, pois existem alguns artistas de grande repercussão que fazem obras de qualidade (a citar seu Jorge e Maria Gadú), mas ficaram cada vez mais escassos.
A música alternativa de hoje tem seu próprio cheiro, seu próprio sabor e identidade. Difere-se do alternativo de dez anos atrás. É anti-mercantilista e vê valor nas coisas simples. Não precisa de dinheiro pra lançar suas obras e nem de grandes companhias de marketing pra construir seus nomes. Ela se faz por si só, vai sendo levada pela maré, sem destino certo. Não lutam por nada, não querem fazer revoluções, apenas desejam curtir o momento e se expressarem através da música.
Cito, abaixo, alguns nomes dessa nova safra alternativa brasileira, não necessariamente em ordem de preferência.
- Cícero (também Cícero Lins).
* Melhor artista do movimento, no meu conceito.
* Conhecido pelo álbum "Canções de Apartamento", esse carioca surpreende com suas rimas Caetânicas em ritmo de Tom Jobim. Ganhador de dois prêmios Multishow em 2012, o músico está ficando cada vez menos underground. Cícero Rosa Lins tem 26 anos (na data de publicação desse post), muita energia e ideias na cabeça. Diz que compõe o tempo todo e por terapia, já que não tem dinheiro pra pagar o analista. Formou-se em Direito e chegou até a trabalhar no ramo, mas a música falou mais alto. Produzido por seu amigo Bruno Schulz (homônimo de um grande escritor), lançou seu disco em 2011 e, desde então, tem feito muito sucesso com o público underground. Em seu show de Fortaleza, cantou todas as músicas de seu disco e ainda deu bis, numa apresentação embalada mais por seus fãs do que pelo próprio, os quais cantavam todas as suas letras.
- Tulipa Ruiz.
- Apanhador Só.
- Mombojó.
- Móveis Coloniais de Acaju (agora produzidos pelo grande Miranda).
- Clarice Falcão.
* Artista mais original do movimento, no meu conceito.
* Essa menina, além de linda, faz um tipo de música que combina muito com o cenário alternativo atual. Sua música "uma canção sobre o amor", clipe viral do Youtube, sintetiza bem a temática simples e despreocupada do movimento. Com uma voz doce e letras com toques de humor, ela sempre surpreende com suas novas canções. Com seu primeiro CD previsto pra 2013, ela diz que quer produzi-lo sem perder sua espontaneadade e marcas, tais como seu estilo de tocar violão. Além de cantora, também é atriz e, ao lado do seu marido, faz muitos rirem de seus vídeos humorísticos.
- Mallu Magalhães.
* Artista de melhor recuperação, no meu conceito.
* Muitos ainda torcem o nariz pra essa menina, que apareceu em 2008 em vários programas de auditório e que, com seu jeito infantil, provocou vergonha alheia. Mas, o que as pessoas não sabem é que essa menina cresceu, amadureceu e se tornou uma moça muito talentosa. Seu último álbum, "Pitanga", é excelente. Produzido pelo namoradão Marcelo Camelo, ícone de outra fase do alternativo nacional, o disco tem uma temática muito relaxada. Cada música é gostosa de se ouvir e suas letras são bem pessoais. Fica aqui a dica pros que só querem criticar: ouçam a nova Mallu, principalmente músicas como "Velha e Louca", "Youhuhu" e "Highly Sensitive".
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